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| Ganho de tempo e dinheiro
Por Heloisa Amorim de Medeiros A necessidade de aumentar a competitividade e a produtividade das obras vem estimulando a industrialização da construção civil. Isso tem sido feito de duas maneiras: pelo uso de componentes pré-fabricados, que são produzidos em usinas e depois transportados para a obra, ou pelo emprego de pré-moldados, feitos no próprio canteiro e montados conforme o cronograma estipulado. Cada sistema tem suas vantagens, dependendo dos ganhos (econômicos, de custos, de tempo etc.) pretendidos em cada obra. O pré-moldado permite a confecção in loco de peças de todos os tamanhos, inclusive de grandes dimensões, pois, se existe espaço no canteiro, não há limitação para o tamanho das peças. Um exemplo disso é o tilt up, que permite a moldagem de peças que chegam a 4 ou 5 m de largura.
Quando há falta de espaço no canteiro os pré-fabricados se mostram mais vantajosos em diversas situações. Uma delas é a possibilidade de usar elementos protendidos de fábrica (pré-tensão e pós-tensão), que previnem deformações e fissuração das peças de concreto. "A protensão deveria ser mais usada. A técnica ainda não está perfeitamente dominada pelo setor da construção. Ela precisa entrar cada vez mais no dia a dia da obra, pois pode proporcionar economias, peças mais esbeltas e com maior capacidade de carga, e evitar patologias", afirma o consultor Francisco Pedro Oggi, da Precast.
"Por atuar há mais de 25 anos com os pré-moldados, posso dizer que eles são a porta de entrada para os pré-fabricados na construção civil brasileira. Na verdade, pré-moldados e pré-fabricados são irmãos gêmeos", define Oggi. Para ele, ambos os conceitos precisam ser desmistificados no Brasil. "Sabemos que cada vez mais o engenheiro de obra passa a cuidar da matemática financeira. Por isso, ele vai administrar pacotes de partes da obra e o fornecedor é que tem de cuidar dos detalhes. Ele tem de contratar partes prontas do prédio da forma mais rápida, segura e barata", exemplifica Oggi.
Racionalização da obra
"O raciocínio, ao se planejar e escolher soluções construtivas para uma obra, vem mudando radicalmente", diz. Um dos fatores importantes a serem levados em conta num empreendimento é o custo financeiro. Quanto menor o prazo da obra, menor o custo financeiro e menor o risco para o cliente. "Então, se eu proponho uma solução que vai adiantar a entrega da obra em três meses, mesmo que ela custe 20% mais que a tradicional, ela pode ser mais econômica no custo final, em função do ganho de tempo. O cliente começa a faturar três meses antes do previsto", ilustra.
Economia e rapidez
Outro empreendimento em que os pré-moldados ajudaram a reduzir custos e prazo de obra foi o condomínio residencial Mustique, em São Paulo, da Eztec, com quatro torres de 25 pavimentos cada uma. A fachada neoclássica, toda trabalhada, demandava um ciclo de execução de lajes de nove dias. Depois de optar por pré-moldar todos os elementos de fachada o ciclo caiu para sete dias. "Ganhamos 50 dias em 50 pavimentos-tipo das duas torres que usaram pré-moldados e economizamos 50 dias de mão-de-obra. Além disso, eliminamos a etapa de revestimento com argamassa e o custo da mão-de-obra para executá-lo. Essa economia pagou as fôrmas para a produção dos elementos pré-moldados de fachada", contabiliza ele.
O emprego de elementos pré-fabricados e pré-moldados não é novidade. Construtoras se utilizam há bastante tempo das pré-vigas e das pré-lajes. São peças que vão ganhar sua forma definitiva na obra e que compõem a chamada construção híbrida, onde se mesclam elementos pré-fabricados ou pré-moldados e construção tradicional. A utilização dessas peças será completada com a concretagem da laje ou capeamento da pré-laje. "A construção híbrida explora relativamente bem o processo de pré-fabricação, gerando economias, e dá condições de realizar a consolidação na obra. As pré-vigas e pré-lajes nada mais são do que artifícios para facilitar a obra", ressalta Oggi.
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