emporionews voltar
 

FRANCISCO OGGI APONTA ATRASO DO BRASIL NOS PRÉ-MOLDADOS

Coluna Fiabci/Brasil - São Paulo, 18/1/2005  

Em recente palestra na Fiabci/Brasil, o engenheiro, consultor e especialista em pré-moldados, Francisco Pedro Oggi, revelou que obras moderníssimas são hoje construídas com pré-moldados em todo o mundo e que o caminho é este, mas o Brasil está muito atrasado em relação à Europa e aos EUA. Oggi falou na Fiabci/Brasil a convite de seu diretor do Conselho Internacional Técnico, Jorge Batlouni Neto. A palestra de Francisco Oggi atendeu aos objetivos da Fiabci/Brasil, de trazer a modernidade ao setor imobiliário. Veja o que ele disse:

"A necessidade de reconstruir a Europa, destruída pela guerra, levou todo o continente a evoluir na construção civil. E o pré-moldado foi a base da rapidez em refazer as cidades e suas infra-estruturas arrasadas. No Brasil, desenvolvemos uma técnica própria de construção, toda executada "in loco" e que não incorporou aquele avanço. Isto é, ficamos para trás tanto nas técnicas de construção quanto no pré-moldado.

Para se ter uma idéia, Finlândia, Noruega, Dinamarca e Holanda, países altamente desenvolvidos, com taxas de natalidade negativas, têm um consumo "per capita" de cimento três vezes maior que o Brasil, que é mais extenso e mais populoso. A gente se pergunta: aonde eles põem tanto cimento assim? Será que na comida?

Outro dado curioso é a Itália: vinte e três vezes menor que o Brasil em extensão territorial, tem seis vezes mais indústrias de pré-moldados do que nós e produz um volume de cimento maior que o nosso país: 42 milhões de toneladas/ano contra 38 milhões produzidas no Brasil.

A industrialização do setor da construção evoluiu muito lá fora, especialmente o pré-moldado, do pós-guerra aos dias de hoje. Podíamos ter aproveitado essa experiência e trazido a modernização também para cá, inclusive evitando todos os erros que naturalmente se cometeram.

A teoria que usamos agora para fazer novos edifícios ainda é, na maioria dos casos, a mesma de 50 anos atrás. Por exemplo, utilizamos ainda o mesmo martelo que pregou todo aquele andaime do edifício Martinelli. É o que ainda está sendo usado em nossas obras, quando lá fora já há "martelo elétrico" ou "pneumático", que em vez de pregar um prego por minuto, prega mil.

Na verdade, fizemos muito o que a gente chama de "gambiarra" nas obras, para que tudo ficasse arrumadinho, mas não evoluímos na técnica. Quer dizer, levantamos o caixote de massa até 80 cm do chão, para que o pedreiro não tivesse de se abaixar para pegar a massa ao fazer a alvenaria, mas não fizemos nada para promover a evolução da própria alvenaria.

Hoje, a gente tem muita dificuldade para entender como se pode substituir alvenaria comum por um painel pré-moldado de concreto que custa 3 ou 4 vezes mais. A nossa produtividade é muito baixa e inferior à dos outros países. Perdemos tempo. E precisamos recuperar.

No dia em que introduzirmos todas as soluções tecnológicas advindas com a industrialização em outros países, vamos ter índice bem maior de produtividade. Não estamos renovando satisfatoriamente nossa mão-de-obra, que ainda atua de forma rudimentar. Parece que esquecemos que os artesãos espanhóis e italianos que outrora vieram para cá, e fizeram as edificações que aí estão, não se encontram mais no mercado. Achamos ser suficiente ter os nossos operários bem equipados quanto à segurança, mas não damos continuidade ao processo de formação e de evolução de nossa mão-de-obra na construção civil.

É bem verdade que o nosso trabalhador ganha pouco e sua produtividade é baixa; mas não é pagando mais que a gente vai conseguir aumentar a produtividade dele, e sim melhorando a técnica e trazendo novas tecnologias. Uma delas, o pré-moldado. Aí, sim, teremos operários que conseguirão alcançar melhor remuneração.

Temos de reconhecer que já estamos passando por mudanças significativas, por exemplo, nos concretos, agregando cimentos de novas gerações. Nossos materiais também evoluíram muito. E alguns construtores já entenderam que o caminho é esse, de mudanças. Mas isto ainda é muito, muito pouco."